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E se o próprio território contasse sua história?
“Contos do Sertão Carioca” é uma série documental produzida pela Casa de Cultura de Jacarepaguá que revela as memórias, os personagens e as contradições de um dos territórios mais antigos e ricos do Rio de Janeiro.
Gravada em formato narrativo e educativo, a série percorre a Baixada de Jacarepaguá, resgatando séculos de história — dos engenhos coloniais aos quilombos, das igrejas ao cotidiano das comunidades que mantêm viva a cultura local.
Mais do que registrar o passado, “Contos do Sertão Carioca” é um convite a conhecer o presente de um lugar onde a memória resiste — viva, plural e pulsante.
📍 Realização: Casa de Cultura de Jacarepaguá / Instituto de Memória e Cultura da Baixada de Jacarepaguá
“O açúcar, a fome de poder e a escravidão no Sertão Carioca”
Em seu passado, Jacarepaguá concentrou riquezas, engenhos e poder. Mas também dor, escravidão e luta.
Esse é o primeiro episódio da série “Contos do Sertão Carioca”, que vai te levar por dentro das memórias de Jacarepaguá.
Do ciclo do açúcar aos quilombos, do apagamento à reconstrução — vamos contar as histórias que fizeram e ainda fazem esse território um dos lugares mais emblemáticos da cidade.
📍No próximo episódio: “Entre Arcos e Correntes: Engenho N. S. dos Remédios.
Texto e Narração:
Alexandra Gonzalez
Captação:
Ju Landeira
Edição:
Cássio Gonzalez
Entre Arcos e Correntes: o Engenho de Nossa Senhora dos Remédios
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No século XVII, o açúcar virou moeda, poder e motor de um território em transformação. Nesse contexto nasceu o Engenho de Nossa Senhora dos Remédios e, depois, o grandioso Aqueduto do Rio Grande, obra atribuída ao Brigadeiro José Alpoim — o mesmo dos Arcos da Lapa.
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Com 35 arcos que levavam água da represa ao engenho, a estrutura fez girar moendas, abasteceu casas e sustentou uma produção marcada pela opulência… e pela exploração. Hoje restam apenas sete arcos — esquecidos, mas cheios de memória.
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Cada ruína do Núcleo Histórico Rodrigues Caldas lembra que esse passado pode, sim, voltar a gerar riqueza — dessa vez para muitos.
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Vem caminhar pelas trilhas da memória. No próximo episódio: fé e poder na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios.
Texto e Narração:
Alexandra Gonzalez
Captação:
Ju Landeira
Edição:
Cássio Gonzalez
Sob o Manto dos Remédios: Fé e Poder no Sertão Carioca
No Sertão Carioca, fé e poder caminharam lado a lado.
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No século XVII, casamentos eram acordos políticos — estratégias para ampliar terras, fortalecer alianças e consolidar quem mandava no território.
E aqui em Jacarepaguá, a união entre os Teles Barreto de Menezes e os Cosme dos Reis é um dos exemplos mais marcantes dessa lógica.
Dessa aliança nasce Nicolau Antônio Cosme dos Reis, herdeiro direto dos Teles Barreto e figura essencial para a história da região.
É ele quem encomenda a construção da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, nas antigas terras do Engenho Novo da Taquara — uma obra que revela o peso e o prestígio de sua família.
O projeto leva a assinatura de Theodor Marx, arquiteto da Casa Imperial.
A cerimônia da pedra fundamental reuniu autoridades, representantes do Vaticano e o artista Emil Bauch, que eternizou o momento em uma pintura hoje preservada no Museu Imperial.
Mas a grandiosidade desse templo também guarda contradições profundas.
A devoção a Nossa Senhora dos Remédios nasceu como símbolo de libertação.
Aqui, no entanto, a igreja foi erguida por mãos africanas escravizadas, que construíram com dor uma capela dedicada à santa que representava a esperança dos cativos.
Entre fé e poder, a Igreja dos Remédios permanece de pé — testemunha silenciosa de um tempo que moldou o Sertão Carioca e das histórias que ainda precisamos contar.
Texto e Narração:
Alexandra Gonzalez
Captação:
Ju Landeira
Edição:
Cássio Gonzalez
A Guerra dos Concunhados: Poder, Herança e disputa por terras
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No Brasil colonial, as mulheres herdavam terras, mas não herdavam poder.
Chegavam à colônia aterrorizadas pela travessia, pela vida que as aguardava e por um destino que não podiam escolher. E, mesmo quando recebiam propriedades, raramente podiam administrá-las.
Foi nesse cenário — em que as mulheres tinham a posse do território, mas não podiam governá-lo — que começou uma das disputas mais longas e belicosa do Sertão Carioca.
A Guerra dos Concunhados envolveu herança, ambição e poder — e revelou que fortunas poderiam desencadear verdadeiras guerras e disputas familiares.
Texto e Narração:
Alexandra Gonzalez
Captação:
Ju Landeira
Edição:
Cássio Gonzalez
Nos primórdios…Os Tupinambás⠀
Este território sempre teve nome, povo e história. Muito antes da colonização, Jacarepaguá já era casa dos Tupinambás. Há pelo menos 10 mil anos, a vida já pulsava aqui. As mulheres tinham autonomia, as relações eram guiadas pelo afeto e o mundo seguia valores próprios, profundamente conectados à terra. Chamados de Tamoios — “os mais antigos” — os Tupinambás tinham na guerra um código de honra. A antropofagia não era canibalismo, mas rito: incorporar a força do inimigo vencido. Essa prática foi distorcida para justificar a violência dos colonizadores: uma narrativa que atravessou séculos. Jacarepaguá vem do tupi: “Lagoa Rasa dos Jacarés”. E aqui existiu Takuarusutybá, uma das maiores tabas do Sertão Carioca. Antes do engenho, havia território ancestral. E sua história precisa ser contada.
Texto e Narração:
Alexandra Gonzalez
Captação:
Ju Landeira
Edição:
Cássio Gonzalez